Cansada…

… de você. Y’ en a marre… do seu egoísmo, do seu discurso autocentrado. Sua indiferença. Sua maneira de usar as pessoas.

Nós, uma vitrine para mostrar aquilo que você não tem. Nós, uma esponja da sua infelicidade. Como patos preparados a se tornarem foie gras, sufocados com tudo o que você nos enfia goela abaixo. Você fala, fala, fala até se esvaziar de toda a sua merda que sou forçada a engolir enquanto duas crianças clamam por atenção sem receber nada, privados de mim por sua causa, sempre privados, afastados, interceptados em pleno vôo porque você, sim você, sempre você precisa de atenção, precisa de mais, precisa de tudo. E quando você lembra que eles existem é para dar aquilo que você quer, quando você quer… e deixá-los falar sozinhos quando não te convém.

Há cerca de um ano você olhava para eles enojado e não hesitava em dizer que eles te cansavam. E que sua vida era sufocante, chata, sem sentido e infeliz.

Então, por que voltou? O que está fazendo aqui além de vampirizar nossas vidas, nossa existência, nossas alegrias, nossas riquezas?

Você é um predador, você tem todos os direitos. Seu desejo é seu guia absoluto e tudo é permitido se você assim o quer. Porque você faz o que quer, você faz o que quer, você faz o que quer. Você faz o que quer, custe o que custe. Aos outros. Porque você nunca paga conta alguma.

Quantas vezes sinto nojo, nojo, nojo de você. Tanto nojo que chego quase a vomitar todo esse nojo da pessoa que você é. E daquela que me tornei de tanto conviver com você.

A pessoa que me tornei, perdida, vazia, triste. Lutando a cada dia para sobreviver e para encontrar forças. Em algum lugar. Sem tirar das crianças, sem pesar sobre eles. Enquanto você fala, fala, fala das desgraças que chegam como consequência de seus próprios atos. Escrotos. Desonestos. Perversos.

E você ainda se vê como vítima de uma perseguição da qual você não seria em nada responsável. Por que você voltou?

Por que prometeu mundos e fundos e se comporta como quem não deve nada, como quem não deve reparar nada, como quem faz um favor?

Trilha sonora do dia: 🎼🎧🎤

Eu gostaria de…

… ser capaz ainda daquilo que aqui chamam de insouciance. Uma certa inocência, uma certa despreocupação. Mas parece que isso é privilégio de uns tantos jovens. E de uns tantos qua nunca tiveram filhos. E de uns tantos que nunca foram viver em outro país. E de uns tantos que nunca foram traídos. Cada experiência de vida nos marca no seu melhor e no seu pior, quer queiramos ou não. Não existe isso de jogar para debaixo do tapete esperando que o tempo traga esquecimento e indiferença. Existem rios de superfície calma por onde transitam intensas correntezas. Ou o recalcado sempre retorna, se quisermos ser psicanalíticos.

O problema da perda da inocência é que é algo que não se refaz. Como em Matrix, o filme. Uma vez que você escolhe o comprimido vermelho não têm mais volta. Alguns acontecimentos da vida fazem o mesmo com a gente, sem precisar de comprimido algum. A experiência de análise também pode agir assim. Então, para aqueles cuja perspectiva de uma maior consciência de si mesmo possa parecer aterrorizante, nada disso é uma boa idéia. Viver é perigoso. Viver nos aproxima de verdades muitas vezes indesejáveis.

O pior em perder a inocência é o pesar, essa dor profunda e silenciosa que pesa no peito e extravasa em suspiros. Perder a confiança não apenas em uma pessoa, mas nas pessoas em geral. Saber que palavras são fumaça e projetos de vida são certezas que perdemos em um instante. Nada é tão sólido que não possa mudar. Nem o amor não é garantia de nada. O amor é palavra, é fumaça, é rio que corre entre os dedos. Perder a confiança em uma pessoa e no seu amor, perder a confiança nas pessoas e nas garantias que o amor parecia dar. Isso é perder muito. Mas é algo que umas tantas pessoas vivem. Todos os dias. E vivem depois sendo outra pessoa, bem diferente de tudo o que foram até então.

As hipocrisias francesas…

Quando o assunto é traição, a França é um dos países mais hipócritas que já conheci. Um dos berços do feminismo, um modelo para todo o mundo ocidental, os franceses pregam uma liberdade nos atos correspondente a uma liberdade dos desejos: todos são livres para fazerem o que quiserem. Apenas esquecem de acrescentar ao final da frase a cláusula importante sobre a gestão dos desejos de cada um: desde que todos estejam de acordo.

Desejo é responsabilidade e parece que por aqui muita gente esqueceu desse pequeno detalhe. Mulheres que pensam que o auge de sua liberação é transar com quem quiserem, mesmo que sejam homens que estão com outras mulheres, casados e afins. Oi? O exercício de sua liberdade enquanto mulher é fazer algo que vai magoar e eventualmente destruir a vida de uma outra mulher? Ah, ok. Foi nesse ponto que comecei a me dar conta que o feminismo foi instrumentalizado para se tornar apenas um discurso de pseudo-liberdade feminina que garante que os homens tenham mais mulheres disponíveis no seu mercado de carne. E, ainda por cima, convictas de que estão fazendo algo revolucionário.

Mas o mais espantoso nessa mentalidade francesa quanto à traição é que mulheres e homens parecem convictos que tudo bem, não faz mal nenhum, desde que o outro não fique sabendo. Ou seja, uma porção de casais trai e é traído e não têm problema porque o outro não ficou sabendo de nada. E, afinal, é algo tão natural desejar outras pessoas, né?

O que ninguém conta, inclusive esses homens e mulheres que traem a go-go e que eu tenho a ocasião de testemunhar infinitas vezes, não apenas na minha história pessoal mas no discurso de pacientes, de amigos e de conhecidos é que essas traições são responsáveis pelo fim de muitos relacionamentos. O que não seria nenhum problema, afinal relacionamentos começam e terminam. Só que essas pessoas, essas mesmas que fazem a apologia da traição chegam nas sessões com seus psicólogos ou nas consultas com seus psiquiatras totalmente destruídas. Pois é, emocionalmente, psicologicamente, moralmente destruídas. E tenho visto tanta gente destruída por conta de um ato que aqui na França gostam tanto de naturalizar que começo a me questionar sobre o porquê de tanta hipocrisia.

Vejam, pessoas adultas decidem da vida que elas querem ter e das parcerias que elas vão formar. Decidem. E para algo que implica mais de uma pessoa, decidem a dois. A três. Quantos sejam. Pessoas que consideram minimamente as mazelas e as responsabilidades quanto aos próprios desejos aceitam o risco de estabelecerem acordos tácitos, falados, escritos, murmurados com seus pares. Aceitam o risco que o outro, do auge da sua capacidade de decidir ele também, não concorde com o que propõem. Aceitam o risco que o outro não queira a mesma coisa que elas e que a relação termine. Pessoas adultas aceitam o risco da vida, das relações e dos próprios desejos e não tentam mascarar tudo isso com mentiras e falsas aparências para não perder nada enquanto se dão ao direito de fazerem tudo. Isso não é ser uma pessoa livre. Isso é ser escravo: de si mesmo, das próprias covardias, das convenções sociais, do medo que o outro não queira mais estar contigo se ele souber quem você é e como quer viver sua vida realmente. E aqui na França, no país do livre pensar, do bem pensar e dos analisados de Lacan, bem pouca gente parece disposta a correr os riscos.

Então, fica todo mundo engambelando. Fala em prol dos desejos e das liberdades e age como o contrário de tudo o que prega. E quando a verdade vem à tona… poucas pessoas seguram a onda. E o que vemos por aqui é uma quantidade assustadora de gente arrasada, deprimida, terra desolada depois de um incêndio que levou muito mais do que tinham imaginado que poderiam perder. O preço acaba sendo muito mais caro do que pensavam.

Há alguns anos atrás os franceses deploraram o escândalo da divulgação do presidente “normal” na sua motoca de capacete saindo da casa da amante em fotos tiradas pelos paparazzi de plantão. Deploraram que alguém desse atenção a isso, afinal aqui na França não se mistura vida pessoal com vida profissional. Não somos como os americanos ultramoralistas, conservadores, puritanos. Somos mais civilizados, mais realistas, essas coisas fazem parte da vida. Tudo muito bonito no discurso oficial de dez em cada dez franceses na época do ocorrido. O que esqueceram de dizer nos seus discursos e que apareceu nas entrelinhas é que muita gente estava achando lindo que a atual esposa do tal presidente que acabara de tornar-se corna em rede nacional era, em suas origens, a amante do tal presidente pelo qual ele largou esposa e filhos, num escândalo que a França também evitou comentar porque tudo é verdadeiramente tão “normal”. E que essa amante tornada esposa e primeira dama esqueceu de imaginar que o mesmo poderia acontecer com ela dali a um tempo pois um dos clichês da traição é que ela se repete e que a crença do “comigo vai ser diferente” não passa de intenção histérica de mulher que ainda não entendeu que “não, você não é especial para alguém que te colocou no lugar de uma outra, porque isso é uma mentalidade de homem que vê mulher como mercadoria”. E as pessoas tão liberadas e maduras estavam agora a se regozijar em rede nacional dessa pequena vingança do destino. E que essas mesmas pessoas tão civilizadas estavam pouco se importando que a ex-amante agora esposa tentasse se matar. E que tudo fosse abafado por essa espessa camada de normalidade dos acontecimentos e pelo silêncio sobre a dor que ela poderia estar sentindo. E que quando apareceu um livro arrasador de autoria dessa mulher destruindo o então presidente (uma vingança, por que não?) todos se mostraram ainda uma vez escandalizados, ultrajados por mais esse desrespeito ao savoir faire francês que diz que frente a uma traição todos ficam em silêncio e o traído se sai tão mais dignamente quanto menos falar e quanto menos deixar transparecer o que quer que sinta em suas entranhas. A França é um dos países menos empáticos com a dor alheia quando ela é vinculada a uma questão moral. Ninguém pode falar, ninguém pode perguntar, todos se convertem repentinamente em pessoas pudicas, reservadas, cheias de dedos, distantes. Porque os franceses, em geral, têm medo de se envolver com assuntos que os obriguem a se posicionar moralmente e a assumir uma opinião com base em um julgamento moral.

A consequência disso é que uma parte impressionante dos adultos com quem tenho contato contam histórias de traição cujas consequências foram catastróficas. Para eles, para os filhos, para um monte de gente. Um monte de gente sofrendo pela hipocrisia de não poder assumir que, não, não é ok trair. Mesmo que seja algo que aconteça. Mesmo que faça parte da vida. Isso não legitima a atitude de ninguém. É ok fazer o que quiser da própria vida desde que as pessoas envolvidas saibam e concordem. Ponto. Tudo o mais é má-fé, covardia e violência. Mesmo aqui na França.

As coisas como realmente são

Pois o sujeito me traiu. A pequena com apenas um ano e meio e ele surta uma noite, desaparece nesse mundão e retorna no dia seguinte dizendo que encontrou outra pessoa e vai embora de casa. Em um lapso de segundo a vida que eu julgava mais sólida que um rochedo pirineano explodiu em mil pedaços levando consigo meu coração e todas as minhas certezas de futuro. A vida é assim, ela muda no instante em que você finalmente acredita que conseguiu se assentar, no momento em que você pensa ter saído do olho do furacão, quando você tira a cabeça da água e consegue tomar fôlego pela primeira vez depois de tanto tempo. A pequena começando a ir à creche, eu começando a poder pensar em trabalhar novamente, tudo caminhando e eu cheguei a vislumbrar um resto de conversa estranha no celular, as falas dele sobre nós dois com os tempos dos verbos todos colocados no passado. Eu vi mas não quis ver, porque não podemos ver aquilo em que não temos como acreditar. O inconcebível mora na cegueira.

Depois de um encontro idílico e de uma paixão que virou amor com a facilidade de uma evidência veio a mudança para a mesma casa, o nascimento da pequena, o choque de realidade da impossibilidade de conciliar a vida nova com a antiga vida na qual o cara-metade tinha outros filhos e muita história mal resolvida que não dava conta de digerir. Ele ficou infeliz, eu fiquei infeliz, ficamos nos estranhando por um bom tempo até que as coisas pareceram se assentar no coração e na rotina de um e de outro, eu começando a gostar dessa vida pacata de cidade pequena, no meio da natureza, ele começando a aproveitar a existência da pequena e a família que tinha escolhido construir e… isso.

Devem existir tantos textos sobre traição quanto o número de pessoas que já foram traídas. Mesmo não os tendo lido, posso apostar que nenhum deles dá conta do estrago que isso causa em uma vida. Especialmente quando existem crianças pequenas envolvidas. Especialmente quando a existência mesma dessas crianças é o que motiva o afastamento do casal e a traição.

Me impressiona o quanto tem de um hábito cultural nessa história que é a minha e que é a de um sem número de mulheres cujos maridos as traíram quando os filhos eram pequenos. E estou falando dessa situação específica, dessa traição nesse contexto singular em que não existe condição de igualdade alguma para que cada qual possa decidir tocar a vida do seu lado em nome do exercício de sua liberdade pessoal frente a um relacionamento que não teria dado certo. Pois uma mulher com filho pequeno é tudo menos livre e capaz de embarcar em uma proposta de relacionamento aberto com o pai da criança que muitas vezes é sugerida por um sujeito que sabe que ele será o único a poder aproveitar dessa abertura por um bom momento. E essa mulher nem tampouco é livre e capaz de sair de um relacionamento que não teria dado certo para ir procurar uma outra pessoa. Porque, vejam só, na cabeça da maioria das mulheres grávidas ou mães recentes o filho é a prova mesma de que o relacionamento do casal estaria dando certo. Ou pelo menos é aquilo em que aprendemos a acreditar. E não temos condições físicas, mentais e emocionais para tanta mudança numa hora em que já temos mudanças o suficientes com as quais lidar.

Os homens decidem ter filhos, as mulheres engravidam, os filhos nascem e em algum ponto dessa sequência de eventos eles se sentem autorizados a trair. E a palavra é violenta, a palavra é trair porque aquilo que esses homens se permitem fazer é uma grande violência. Não se trata de um mero exercício de liberdade do desejo de cada um, que é sempre flutuante e fluido. Se o desejo flutua, homens e mulheres são ainda assim responsáveis daquilo que, de seus desejos, vira ato, vira gesto. E essa traição é um gesto que declara em alto e bom som que “meu desejo é mais importante do que tudo o mais”. Você, a criança, a família, os projetos de vida.

Um homem se espanta e se ressente com sua mulher grávida. Ou com sua mulher que se torna mãe de um outro ser que não ele. Ele se espanta e se ressente de deixar de ser o centro das atenções. Ele se espanta e se ressente da distância, do cansaço, da falta de vontade de transar, do mau humor, da irritação, das flutuações emocionais. Um homem se espanta que a mulher mude quando se torna mãe, ele se espanta porque boa parte dessas mudanças são fruto da indisponibilidade desse mesmo homem de se envolver com a criação desse filho que eles fizeram juntos. Ele se espanta que ela se sinta traída e abandonada com um bebê no colo a dar conta de tudo sozinha em meio a um caos emocional e a um desconhecimento total do que fazer quando se tem um filho. Ele sofre dessas mudanças, talvez exista nele também um caos emocional decorrente desse acontecimento de ter um filho na sua vida. Mas o problema reside na maneira como o sujeito interpreta essa experiência e muitos homens entendem disso tudo que suas mulheres os abandonaram. Trocaram-nos por outro, o bebê. E esse ressentimento vira distância, que vira má-vontade com a criança e com tudo aquilo que uma criança pequena demanda, que vira tensões e conflitos e quando menos se espera ali estão duas pessoas tão separadas por um abismo de incompreensão que encontrar um meio de criar uma ponte parece impossível. E a solução que muitos homens encontram para lidar com isso é adotar a tática do avestruz: evitar o confronto com as dificuldades e… trair.

Trair a confiança de uma pessoa que conta e precisa dele num dos momentos de maior fragilidade na vida de uma mulher. Trair também uma criança que precisa de um pai capaz de ajudar a mãe a estar bem o suficiente para que ambos cuidem daquilo que cabe a cada um nesse momento. Trair e deixar todo mundo na mão enquanto busca conforto em outros braços, em outra boca, em outras pernas, em outros cheiros, em outra pessoa cuja disponibilidade lhe seja exclusiva, que possa estar pronta, interessada e ter olhos só para ele a cada vez que a porta da sua casa se abrir para recebê-lo. Um homem que trai uma mulher que acabou de ter um filho seu é um sujeito que renunciou a qualquer resquício de algo que podemos chamar de dignidade. Uma mulher que se autoriza a ficar com um homem cuja esposa está grávida ou acaba de ter um filho estando a par da situação não é em nada melhor do que o sujeito em questão. Trata-se de uma mulher que, visivelmente, não entendeu muito bem que feminismo não significa meu desejo em primeiro lugar e, sim, minha dignidade depende de que todas as mulheres sejam tratadas de maneira digna. Sem exceção.

Como pode ser que algo tão nocivo tenha se tornado tão comum que as pessoas se permitem até mesmo jogar a culpa nas mulheres quando os homens as traem? A mulher grávida ou mãe recente que de repente vira a esposa negligente, que não se cuida, que não dá atenção ao marido, que vai perdê-lo para outra que certamente vai cuidar melhor dele. Como as pessoas são capazes de acrescentar doses cavalares de crueldade a um acontecimento por si só tão destruidor?

A história não acaba aí e nem acaba por aqui tudo o que eu teria para escrever a respeito. Mas nesse momento da história o cara-metade me traiu e disse que ia embora com outra. E mudou de idéia e ficou. E família, amigos e analista me ajudaram a pensar que isso era “normal”. E eu engoli meu orgulho ferido, meu coração partido e meu ímpeto de ir embora correndo para casa e fiquei na aposta de que tudo poderia ser reconstruído. Para ele fazer a mesma coisa depois do nascimento do segundinho. E ainda mais uma vez quando o pequeno era tão bebê quanto a pequena nessa primeira vez, cada um dos pequenos tendo direito à sua dose de destruição de uma estabilidade conquistada com muito esforço e tão sensível a furacões e outras intempéries. E a cada vez o sujeito se autorizou a ir mais longe, a comportar-se de maneira mais e mais indigna. Quando se ultrapassa uma fronteira, fica difícil retornar. Ainda mais quando essa fronteira diz respeito aos limites que podemos ou não ultrapassar em nome dos nossos ditos desejos. Nossas alegadas necessidades, pelas quais nos permitimos ir sempre mais longe, sempre mais cegos, de maneira sempre mais violenta. E o que sobra? Um rastro de destruição de tudo e de todos em volta com os quais deixamos de nos importar quando estávamos envoltos naquela fúria desejante, desonesta e cheia de engodos. E um sem número de estilhaços espalhados por imensos territórios que, no momento presente, o sujeito tenta atabalhoadamente colar e reconstruir.

IMG_20180205_184157_956